Conheça uma das produtoras do Cambuci e seu papel na proteção ambiental de Parelheiros (SP)

PProdutores - Beth SaO esforço de coletar os frutos de Cambuci, separar e tirar a casca, depois limpar e congelar, além de coletar e guardar as sementes para novas mudas, é um ritual realizado quase diariamente pela produtora Beth de Sá em seu sítio, em Parelheiros (SP), e em algumas propriedades da região. Há cinco anos, ela passou a dedicar seu tempo exclusivamente ao trabalho com os frutos nativos, mas a história de seu envolvimento com o Cambuci começou há quase quatro décadas e se mistura com a própria relação com a região sul da cidade de São Paulo.

Mineira da cidade de Campo Belo (MG), Beth mudou-se para o bairro do Brooklin, na capital paulista, ainda adolescente, e logo arrumou emprego em um açougue no mesmo bairro, onde foi trabalhar como caixa. Em alguns anos, conheceu seu futuro marido, um dos clientes do açougue que criava aves numa propriedade em Parelheiros. “Sempre gostei de mato, pois fui criada no interior. Quando conheci o sítio, fiquei encantada e já decidi me mudar”, conta.

A propriedade de 25 mil metros quadrados (2,5 hectares) abriga um Cambucizeiro de quase 40 anos, batizado pela família de “árvore mãe”, e foi esse convívio o principal responsável pelo trabalho que passariam a desenvolver mais tarde com as nativas.

Em 2010, após a separação de seu segundo marido, a produtora precisou encontrar alguma alternativa de renda e decidiu fazer um curso de sementes no Instituto Pedro Matajs. “Na verdade, meu primeiro marido sempre tentou fazer mudas de Cambuci mas não conseguia, o que me estimulou a começar o curso”, brinca.

Ela logo escolheu a espécie para “adotar” e ao final do curso já tinha produzido 11 mudas a partir das sementes da “árvore mãe”. No ano seguinte, ouviu falar sobre a Rota do Cambuci e investigando os livrinhos de receita dos festivais, inventou os primeiros licores e trufas à base do fruto. “Vendia na feira de Parelheiros, lembro que usava uma garrafa de cada cor, ainda não tinha o padrão de hoje, mas não sobrava nenhuma para degustar. Aos poucos, fui aumentando minha participação na Rota, nos festivais em outras cidades, como Caraguatatuba, comecei a fazer novos cursos e descobri também o potencial das geleias”.

Dom para a cozinha

De fato, os festivais da Rota são uma fonte de renda importante para os beneficiadores de produtos de Cambuci, mas segundo Beth, a maior satisfação é poder divulgar a importância do fruto. “É uma espécie em que tudo se aproveita, polpa, casca, semente, e até os resíduos servem para compostagem”, elogia.

Hoje ela está dividida entre o trabalho no campo e na cozinha, mas tem orientado o companheiro a semear as mudas e vender, além de contar com a ajuda do filho Junior, que distribui os produtos e faz a divulgação na Internet da marca “Recanto Magini”.

“Fui descobrindo que tinha dom para cozinha, minha vó já era uma doceira de mão-cheia. Agora ‘choro’ pois também gosto do trabalho com as mudas, porém a demanda está crescendo. Já são mais de dez itens produzidos aqui, entrego o xarope em Salesópolis, a geleia no Bar e Armazém do Cambuci, além dos eventos como o Design da Mata”.

 

Trabalhar com árvore dá mais prazer

IMG_6717Cambuci, Araçá, Amora, Uvaia, Pitanga, Goiaba, Ingá, Gabiroba… são muitos os frutos nativos que a produtora mantém na terra, aprendendo mais sobre o segredo de cada espécie. Ela descobriu, por exemplo, que algumas demoram mais tempo para germinar mas depois têm crescimento rápido, como o próprio Cambucizeiro.

“Trabalhar com árvore é mais gostoso que plantar verdura e legume…. pois na lavoura tem que passar o dia todo. Gosto de fazer várias coisas ao mesmo tempo, semear no viveiro, molhar as mudas, colher… mas estamos pensando em plantar mandioca ou milho entre os pés de Cambuci”. Entre 2012 e 2013, ela chegou a produzir até 5 mil mudas de nativas no sítio.

Agora depende de infraestrutura para dar conta da demanda e armazenar a produção de outros agricultores da região. É possível fazer até 60 vidros de geleia num só dia, mas o trabalho é grande pois envolve fazer o doce, pasteurizar, etiquetar e lacrar os vidros, colocar data de validade, e muitos outros detalhes. “E não tenho como armazenar o que estão oferecendo, preciso de mais um freezer”.

Isso porque ela recebe frutos de outros produtores e desenvolve um trabalho de conscientização para a importância de plantar árvores junto com a lavoura. “Outro dia brinquei com meu vizinho que vale mais a pena plantar Cambuci, pois quando estiver velho é só colher e rende o ano todo”.

O resultado desse esforço é visível na paisagem do sítio Recanto Magini, onde a área antes desmatada foi recuperada com diferentes espécies de árvores, que voltaram espontaneamente, como a aroeira e a quaresmeira, compondo um boque que já tem a cara da Mata Atlântica.

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7 Responses to Conheça uma das produtoras do Cambuci e seu papel na proteção ambiental de Parelheiros (SP)

  1. achei muito interessante o seu trabalho

  2. Giovana MAscarenhas

    Fiquei muito intereçada e estou estudando a possibilidade de plantar a cambuci.
    Vocês fornecem as mudas, formação? digo isso porque sou educadora e não tenho experiência com o plantio, seria uma boa oportunidade para aprender.

    obrigada

  3. rossinividal

    boa tarde

    meu nome é rossini vidal e estou procurando muda de cambuci para fins de reflorestamento de uma area que possuo e preciso reflorestar caso tenha as mudas gostaria de saber o valor

  4. rossini de oliveira vidal

    gostaria de adquirir mudas de cambuci para reflorestar uma parte de mata atlantica que tenho na propriedade. gostaria saber preço e onde retirar as mudas.
    att
    rossini

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