Sítio Caaeté

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Da cidade ao campo, família Cerveny faz da terra um laboratório de cultivo agroecológico

André Cerveny é produtor do Sítio Caaeté, da Banca Orgânica, e conta aqui como a família trocou a vida na cidade do Rio de Janeiro pela dedicação ao sítio em Santo Antônio do Pinhal (SP). Fala também sobre as técnicas que utiliza no cultivo e a importância da diversidade de sementes e de vida na agricultura. Não perca a entrevista!

 

P – Como se deu a passagem da vida na cidade para a dedicação ao campo?

André – Vimos a possibilidade de iniciar um projeto de autossuficiência em uma área rural por meio de técnicas da permacultura. Nossa motivação foi ideológica mas também prática, abria-se um caminho de ação coletiva, no mundo, e ao mesmo tempo uma alternativa de vida melhor que qualquer moradia na cidade. A família já possuía a terra, a casa já estava sendo construída e meu pai estava se aposentando após trabalhar anos em regiões isoladas, querendo ficar mais perto da família. Queríamos também que o sítio fosse produtivo e sustentável. Aí começamos a empreitada, eu estava estudando agroecologia e permacultura e me sentia apto a testar os conhecimentos na prática.

 

P – Quais as técnicas da agroecologia que vocês utilizam na propriedade?

André – Queremos que o Sítio Caaeté seja um laboratório de pesquisas e multiplicação de conhecimentos, ideias e métodos pouco difundidos. Tanto na questão agrícola como na maneira de nos relacionarmos. No momento, estamos investindo na produção abundante de alimentos, melhoria do solo e condições físicas locais. Usamos conceitos de agroflorestal sucessional, que consiste em gerar mais recursos do que se consome, como na dinâmica da natureza. Seguimos em direção a uma utopia que está sempre em construção e é o que nos move.

 

P – Qual a importância da variedade de sementes, da diversidade agrícola e das feiras de troca?

André – São de importância vital, as sementes são essenciais para a agroecologia e no último século houve o desaparecimento de muitas variedades, como a homogeneização dos alimentos produzidos, até pelos pequenos agricultores. Os transgênicos chegaram como verdadeiras armas biológicas, podem hibridizar, e há variedades vegetais adaptadas e selecionadas há gerações. Guardar e trocar sementes é uma questão de sobrevivência frente a esse movimento das grandes corporações. Sempre que podemos trocamos, buscamos novas variedades e usamos no plantio, ajudando a manter essa rede de guardiões da genética ameaçada.

 

P – Ser produtor da Banca Orgânica é uma forma de sensibilizar a sociedade?

André – Sim, ainda temos muita história juntos pela frente. Alternativas como essa irão substituir os supermercados convencionais eventualmente, pois quanto menos atravessadores e mais próxima a relação entre produtor e consumidor, mais aumenta a qualidade do alimento, menor fica seu preço e menos há exploração do trabalho alheio. Penso que dependeremos cada vez menos das gigantes indústrias alimentícias quanto mais nos organizarmos para ter alimento localmente, dos pequenos produtores.

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